terça-feira, 17 de novembro de 2015

Uma exposição que privilegia os outros sentidos na 10ª Bienal do Mercosul

Olfatória: O Cheiro na Arte é uma das exposições da 10ª Bienal do Mercosul dedicada aos outros sentidos que não exclusivamente aquele do olhar (olfato, paladar, audição, tato). Nem todas as obras nesta exposição podem ser tocadas, cheiradas, ouvidas ou provadas, pois esta é uma exposição realizada dentro do universo da visualidade e procura ser antes de tudo um espaço de reflexão. Esta plataforma curatorial é uma das mais avançadas exposições realizadas nos últimos anos no Brasil. É a primeira vez que uma exposição de grande envergadura sobre a arte da América Latina adota a via interpretativa do olfato como ingresso no universo das obras de arte. Na exposição é possível ver obras históricas (não comissionadas) de Angélica Pérez Germain (EUA, 1972 - Islas Juan Fernández-Chile, 2010), Daniel Lezama (México, 1968), Ernesto Neto (Rio de Janeiro, Brasil, 1964), Juraci Dórea (Bahia, Brasil, 1944), Oswaldo Maciá (Colômbia, 1960), Rubén Ortiz-Torres (México, 1964), Fritzia Irízar (México, 1977), Saidel Brito Lorenzo (Cuba, 1973), Patricia Wich (Asunción-Paraguay, 1978), Lygia Pape (RJ, Brasil, 1927 - 2004), Waltércio Caldas (Rio de Janeiro-Rio de Janeiro, Brasil, 1946), entre inúmeras outras. Obras do século 19 até a contemporaneidade são exibidas em justaposição não cronológica, privilegiando a relação conceitual entre os diversos problemas artísticos tratados por cada uma delas.
É sabido que o cheiro foi banido da modernidade e que o espaço canônico de exibição de suas obras, o chamado “cubo branco” foi concebido como um espaço asséptico, inodoro, e sem ruído. Dentro dele, o processo de canonização se realizou, construindo um campo de obras que atingiram o mais alto grau de relevância dentro de uma narrativa hegemônica da história da arte da modernidade. Historicamente o olhar, como formador do cânone do ocidente, tornou-se o sentido privilegiado e todas as obras que fugiam à norma foram excluídas daquele espaço. Olfatória, que pode ser visitada na Usina do Gasômetro, é uma abordagem radical da visualidade através de outros sentidos e de uma plataforma que busca ativar o pensamento crítico diante da arte.


Calumny (2007)
Oswaldo Maciá (Cartagena-Colômbia, 1960)
Coleção do artista, Inglaterra



Gira (2015)
Alexandre Vogler (Rio de Janeiro-Rio de Janeiro, Brasil, 1973) 
Coleção particular, Brasil



13 (1995 - 2015)
Saidel Brito Lorenzo (Matanzas-Cuba, 1973)
Coleção do artista, Equador



Roda dos Prazeres (1968)
Lygia Pape (Nova Friburgo-Rio de Janeiro, Brasil, 1927 - Rio de Janeiro-Rio de Janeiro, Brasil, 2004)
Coleção Projeto Lygia Pape, Brasil



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